Dia dos namorados. Ehehehe. Até parece que precisamos desse dia... Pra que dia dos namorados?
Particularmente, eu acho que, sempre é dia dos namorados, o Mundo é dos namorados. Tenho uma amiga, que reclama que sempre passou o dia dos namorados sozinha. Não sei o que acontece, mas ela sempre termina os relacionamentos, dias antes de 12/06. "Tadinha". O fato é que tem gente que fica esperando o dia dos namorados, para poder ganhar uma flor, um presente, ir passear... Que isso gente !!!! Namorado tem que fazer isso sempre.
O Namorado(Fernando Pessoa)
"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e, quando se chega ao lado dele, a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA."
Escrito por Mucas às 16h03
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Você sai do cinema, e vê aquela fila enorme, com as pessoas que vão assistir a próxima seção do filme que você acabou de ver. Se você gostou do filme, talvez sinta um pouco de vontade de estar no lugar delas, para poder assistir novamente. Se não gostou, você sai com vontade de rir da cara de todos que estão a um tempão na fila, pra assistir aquela porcaria. Mas o que da vontade mesmo, é de contar o final do filme! E será que elas vão viver o mesmo que você viveu lá dentro? Afinal, vão estar fazendo a mesma coisa que você acabara de fazer. Será que a reação vai ser a mesma que a sua? Cada um vive da sua maneira, mesmo que a cena ou a circunstancia seja a mesma. Tem uma história, que eu não me lembro muito bem, como é q se conta, mas que diz o seguinte. “O Lorde inglês vai entrar no carro e o mordomo olha para o céu, e procurando ser simpático diz: – Teremos chuva hoje Dr. O Lorde olhou para ele e respondeu: - Não, você está enganado. Eu terei a minha chuva, e você terá a sua.” È isso que acontece com a gente. Nunca vamos ter a mesma atitude que o outro, mesmo que a circunstancia seja a mesma. Por isso, não me venham, com esse papinho de que “se eu tivesse no seu lugar, eu faria o mesmo” ou, “se eu estivesse no seu lugar, não faria isso’”. Não tente me contar o fim do filme. Se pra você o final foi triste, pra mim pode ser um final feliz. Se eu estou na fila, é porque quero ver o filme. Sei lá porque estou escrevendo isso. Um beijo. Mucas
Escrito por Mucas às 13h04
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